Com mais de 75 anos de história, restaurante árabe de São Paulo é conduzido pela terceira geração da família e aposta em dark kitchens para expandir a operação.
O Mussa Esfiha, restaurante de culinária árabe fundado em São Paulo em 1951, atravessa uma nova fase sob a gestão dos irmãos Stephanie e Waldir Moyses, netos de um dos fundadores. À frente da terceira geração do negócio, eles transformaram o delivery no principal canal de vendas da marca, responsável por cerca de 90% do faturamento. Após registrar crescimento de 150% em 2025, a empresa projeta alta de 200% em 2026.
A estratégia combina a tradição construída ao longo de mais de sete décadas com mudanças na estrutura operacional. Atualmente, o negócio conta com quatro unidades físicas, operações em dark kitchens e uma parceria com o Camarote Backstage Mirante. Uma nova cozinha voltada exclusivamente ao delivery, prevista para o Butantã, faz parte dos próximos passos da expansão.
“Quando a gente fala de sucessão, não é simplesmente assumir o que já existe. É entender o que precisa continuar e o que precisa mudar. A nossa responsabilidade é preservar aquilo que faz o Mussa ser reconhecido, mas também enxergar para onde o consumidor está indo”, afirma Stephanie Moyses, CFO do restaurante.
Delivery se torna o centro da estratégia de crescimento
A participação do delivery nas vendas do Mussa Esfiha está acima da média apontada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Segundo levantamento citado pela entidade, o canal representava, em média, 30% do faturamento dos estabelecimentos que trabalhavam com entregas em 2025. No restaurante paulistano, o percentual chega a aproximadamente 90%.
Diante desse cenário, os irmãos pretendem concentrar cada vez mais a operação no atendimento por delivery. As dark kitchens são parte importante desse movimento, pois permitem atender diferentes regiões sem exigir a estrutura completa de um restaurante tradicional com salão.
“Restaurante era sempre focado em endereço, salão, uma experiência presencial. Hoje, as marcas também chegam à casa do cliente. Para nós, o delivery deixou de ser complementar e passou a ser uma forma de pensar o negócio inteiro”, explica Waldir Moyses, CEO do Mussa Esfiha.
A mudança no modelo de atendimento acompanha a digitalização do setor de alimentação e altera a maneira como a empresa planeja sua presença geográfica. Em vez de depender apenas da abertura de novos restaurantes convencionais, a marca busca aproximar a produção dos consumidores por meio de estruturas voltadas às entregas.
Esfiha permanece como carro-chefe da marca
Apesar das mudanças na operação, o cardápio mantém a esfiha como principal produto. A especialidade representa cerca de 90% das opções oferecidas pela empresa, que vende aproximadamente 100 mil unidades por mês.
Entre os sabores salgados mais pedidos estão carne e queijo. Nas versões doces, a Nutella se destaca. O tíquete médio informado pela empresa é de R$ 92, enquanto a operação reúne cerca de 60 profissionais, considerando as equipes internas e externas.
A permanência das receitas e dos produtos tradicionais é parte da estratégia de continuidade do negócio. Para a gestão atual, o crescimento depende tanto da adaptação aos novos hábitos de consumo quanto da manutenção da qualidade dos alimentos e da relação construída com os clientes.
“O nosso avô construiu uma marca que chegou até aqui porque conseguiu criar uma relação muito forte com o cliente. A gente não quer só repetir o que ele fez. Queremos fazer com que essa relação continue existindo daqui a mais 20, 30 ou 50 anos”, diz Stephanie. A executiva também destaca o papel dos produtos artesanais, dos ingredientes e do cuidado no preparo para estimular a recorrência dos consumidores.
Sucessão familiar com divisão de responsabilidades
A gestão do Mussa Esfiha está dividida entre os irmãos, com Waldir na posição de CEO e Stephanie à frente da área financeira. A organização define responsabilidades distintas para decisões relacionadas à operação, ao planejamento financeiro e à expansão.
Embora a confiança construída na relação familiar seja vista como uma vantagem, os gestores afirmam que a administração exige separação entre os vínculos pessoais e as decisões empresariais.
“Ser irmão ajuda porque existe uma confiança que foi construída a vida inteira, mas dentro da empresa precisamos separar a relação pessoal da tomada de decisão. Cada um tem sua responsabilidade e, no final, os dois precisam estar olhando para o mesmo objetivo”, afirma Waldir.
Fundado por Abdala Mussa em 1951, o restaurante chega à terceira geração em um momento de crescimento e transformação do modelo de negócio. A meta dos atuais gestores é preservar a identidade da marca enquanto desenvolvem uma operação cada vez mais direcionada ao atendimento digital.
Sobre o Mussa Esfiha
Fundado em 1951, em São Paulo, o Mussa Esfiha é um restaurante de culinária árabe especializado em esfihas salgadas e doces e kibes. Atualmente, é administrado pelos irmãos Stephanie e Waldir Moyses, representantes da terceira geração da família à frente do negócio. A marca mantém unidades em Santana, Perdizes, Tatuapé, Vila Mariana, Brooklin e Guarulhos, além de operações voltadas ao delivery e parceria com o Camarote Backstage Mirante.