Quasar Cia de Dança apresenta espetáculo sobre a crise ambiental em Fortaleza

Com entrada gratuita, “Menos da Metade” ocupa o Theatro José de Alencar nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, com coreografia inspirada na devastação do Cerrado brasileiro.

A crise ambiental e a devastação do Cerrado brasileiro são os temas de “Menos da Metade”, espetáculo da Quasar Cia de Dança que chega a Fortaleza nos dias 31 de outubro e 1º de novembro. Com apresentações gratuitas no Theatro José de Alencar, a obra utiliza a dança contemporânea para abordar as transformações do bioma e os impactos do desmatamento.

Criado em 2023 pelo coreógrafo Henrique Rodovalho, com direção geral de Vera Bicalho, o espetáculo marca a primeira vez que a companhia goiana, com mais de 35 anos de trajetória, dedica uma criação diretamente ao território onde surgiu. A obra parte da realidade do Cerrado, que já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, para provocar reflexões sobre a exploração ambiental e seus efeitos.

A temporada na capital cearense integra a circulação nacional do espetáculo, apresentada pelo Ministério da Cultura e pelo PicPay por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A programação também acontece em parceria com a X Bienal Internacional de Dança do Ceará De Par em Par.

“É a primeira vez que a Quasar trata de um assunto especialmente do seu lugar de existência. Até então, nós nunca tínhamos criado algo especificamente do Centro-Oeste, do nosso Cerrado”, afirma Rodovalho.

Dança traduz as transformações do Cerrado

MENOS DA METADE – POR LAYZA VASCONCELOS

Com oito bailarinos em cena, “Menos da Metade” acompanha o ciclo climático do Cerrado, do período chuvoso à seca. A coreografia transforma em movimentos as mudanças da paisagem, as temperaturas, os sons e as sensações provocadas pelas diferentes fases do ano.

No início da apresentação, a água e o florescimento da vegetação aparecem como elementos centrais. A trilha sonora, assinada por Luiz Clímaco e Henrique Reis, evoca a atmosfera das noites frescas do inverno goiano e os sons característicos da região.

Em seguida, a cena passa a representar a aridez. O verde desaparece, enquanto o calor, a poeira e a exaustão ganham espaço nos movimentos dos bailarinos. A narrativa avança para os efeitos da exploração do território, com referências à expansão do agronegócio, às queimadas e ao desmatamento.

O contraste entre a destruição ambiental e os símbolos de poder associados à exploração econômica também integra a encenação. À medida que os elementos cênicos desaparecem, o palco assume a imagem de um território esvaziado de recursos.

Para Rodovalho, a obra busca transformar questões ambientais em uma experiência física para o público. “O espetáculo é uma tentativa de fazer o público sentir o Cerrado no corpo”, resume o coreógrafo.

Espetáculo aborda os efeitos da exploração ambiental

A criação também parte das mudanças climáticas e dos episódios de seca e chuvas intensas registrados no Brasil nos últimos anos. O coreógrafo destaca que essas condições afetam diferentes setores, inclusive a produção rural, e questiona os limites da exploração do território.

“Precisamos de mais terras para garantir novas safras e rebanhos? A ideia desse espetáculo da Quasar é levantar essas questões, mesmo que cause incômodo. Debater isso, a partir de um estado que desmata e está perdendo seu bioma, é nossa obrigação”, diz Rodovalho.

Apesar das imagens de devastação, a obra mantém uma perspectiva de resistência. A presença de uma árvore surge como símbolo de esperança e da permanência da vida diante das perdas ambientais.

A dramaturgia física preserva características da linguagem desenvolvida pela Quasar, como movimentos fragmentados, mudanças inesperadas de direção e ocupações pouco convencionais do espaço. A relação entre música, coreografia e interpretação também conduz a narrativa.

Música, luz e figurino compõem a experiência cênica

MENOS DA METADE – POR LAYZA VASCONCELOS

Além da criação coreográfica, Henrique Rodovalho assina o desenho de luz, que acompanha as diferentes fases representadas no palco. O cenário e a identidade visual são de Marcus Camargo, enquanto Cássio Brasil responde pelo figurino.

A trilha sonora de Luiz Clímaco e Henrique Reis reúne referências musicais de Goiás, sonoridades do Cerrado e ritmos percussivos. O conjunto de elementos visuais e sonoros acompanha a passagem da paisagem viva para a devastação e a resistência.

Reconhecida por sua linguagem autoral na dança contemporânea, a Quasar Cia de Dança utiliza o espetáculo para relacionar expressão artística e debate ambiental. Em Fortaleza, o público poderá acompanhar essa reflexão em duas apresentações gratuitas no Theatro José de Alencar.

Serviço

Quasar Cia de Dança apresenta “Menos da Metade” nos dias 31 de outubro, às 20h30, e 1º de novembro, às 18h, no Theatro José de Alencar, localizado na Rua Liberato Barroso, 525, no Centro de Fortaleza. A entrada é gratuita.

Redação ByFontes

O ByFontes é um portal de notícias com olhar nacional, dedicado a informar sobre os acontecimentos e histórias que movimentam o Brasil.

Mais do autor

Samsung lança campanha “Destrava sua rotina” com foco em casa conectada

36º Cine Ceará anuncia filmes das mostras competitivas de longas e curtas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *