Encontro “Depois que tudo foi dito” reúne artistas, curadores e pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos neste domingo (11)
A Universidade de Nova York (NYU) recebe neste domingo (11) o simpósio “After It’s All Said” (“Depois que tudo foi dito”), realizado a partir das discussões propostas pelo 39º Panorama da Arte Brasileira. O encontro reúne artistas, curadores, escritores e pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos para discutir arte, raça, estética, colonialidade, território e corpo.
A programação acontece no King Juan Carlos I Center, em Nova York, e toma como ponto de partida o pensamento da filósofa, artista e escritora Denise Ferreira da Silva, que inspira o título e as proposições curatoriais da exposição atualmente em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo).
Com curadoria de Diane Lima, o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito” permanece no MAM até 24 de janeiro de 2027. Já o simpósio busca deslocar algumas das questões da exposição para o contexto internacional, colocando em diálogo experiências de racialização no Brasil e nos Estados Unidos.
Simpósio discute arte, raça e colonialidade
A questão formulada por Denise Ferreira da Silva está no centro da programação: seria possível desenvolver uma sensibilidade capaz de antecipar aquilo que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial e sobre os efeitos dessas violências no capital global?
A partir dessa provocação, o encontro aproxima teoria crítica e prática artística e discute relações entre estudos negros, poética, estética, memória, território e corpo. A proposta também considera as possibilidades da arte como forma de confronto aos limites das epistemologias estabelecidas.
A abertura contará com uma introdução institucional de Cauê Alves, curador-chefe do MAM São Paulo, seguida de uma conversa com Diane Lima, mediada por Giovanna Querido. O encontro aborda as proposições conceituais e curatoriais do 39º Panorama.
Na sequência, Denise Ferreira da Silva participa de uma conversa com o poeta e acadêmico Fred Moten e o historiador e crítico literário David Lloyd. Diane Lima fará a mediação do debate, que trata de raça, estética, poética, colonialidade e das condições do pensamento contemporâneo.
Rosana Paulino apresenta conferência
No período da tarde, a artista Rosana Paulino apresenta uma conferência com introdução da pesquisadora Nathalia Carneiro. A discussão parte de uma produção artística atravessada por questões de memória, racialização e gênero, além dos efeitos persistentes da escravidão no Brasil.
O trabalho de Paulino também relaciona histórias pessoais e coletivas a questões de representação, mito e construção da memória social brasileira.
O simpósio termina com uma conversa entre os artistas Rose Afefé e Iagor Peres, participantes do 39º Panorama, e Diane Lima. Com tradução de Mel Adún, o debate aborda práticas artísticas relacionadas ao território, à materialidade e ao corpo.
39º Panorama reúne 33 artistas
O 39º Panorama da Arte Brasileira reúne 33 artistas de 11 estados brasileiros. A exposição parte de transformações epistemológicas ocorridas nas últimas décadas, incluindo debates relacionados à reparação racial e às políticas de ações afirmativas.
Segundo a proposta curatorial, essas transformações também levaram questões raciais para os campos da linguagem e da estética, enquanto as práticas artísticas passaram a formular novas possibilidades para abordar esses temas.
Inspirada no pensamento de Denise Ferreira da Silva, Diane Lima desenvolve a exposição a partir da ideia de “ler a arte como confronto”. O projeto investiga como práticas poéticas e composicionais podem expandir os limites da representação estética por meio da imaginação.
O Panorama da Arte Brasileira é realizado pelo MAM São Paulo desde 1969 e apresenta, em formato bienal, diferentes recortes da produção artística brasileira contemporânea.
Encontro é organizado por centro de estudos da NYU
O simpósio é organizado pelo Co-Laboratório de Estudos Críticos Raciais e Anticoloniais (CRACS), da NYU, dentro do programa “More-Than-Perfect: Explorações de T/Sentidos Negros de Futuro”, desenvolvido em parceria com a Florida International University (FIU).
O programa reúne artistas, pesquisadores, educadores e ativistas em torno de discussões sobre pensamento e imaginação radical negra diante das condições contemporâneas.
O encontro também conta com a participação do Departamento de Línguas e Literaturas Espanhola e Portuguesa da NYU e apoio da Fundação Ford.
Serviço
Simpósio “More Than Perfect: After It’s All Said”
Data: domingo, 11 de outubro de 2026
Horário: das 10h às 18h
Local: King Juan Carlos I Center – 53 Washington Square South, Suite 201, Nova York, NY 10012
Entrada: gratuita
Apresentação: More-Than-Perfect: Explorações de T/Sentidos Negros de Futuro; Co-Laboratório de Estudos Críticos Raciais e Anticoloniais (CRACS); Departamento de Línguas e Literaturas Espanhola e Portuguesa da NYU
Apoio: Fundação Ford